É possível gravar a interpretação simultânea?

A interpretação simultânea é considerada produção intelectual e, por este motivo, há cobrança de adicional por direitos autorais e/ou cessão de direitos de som de voz para a gravação do conteúdo de interpretação.

Quais são as regras básicas de etiqueta na cabine de tradução simultânea?

Trabalhar como intérprete de conferências exige disciplina e concentração, mas principalmente respeito, não só para com o cliente que o contratou, mas também pelo colega de profissão com quem você dividirá a cabine. Por isso, é recomendado tomar alguns cuidados na hora de compartilhar o mesmo ambiente de trabalho:

  • Mantenha-se em silêncio
  • Desligue o celular e o som do computador
  • Organize os documentos e papéis
  • Não vasculhe na bolsa próximo ao microfone
  • Silencie o microfone quando for beber água, espirrar, tossir, etc.
  • Cuidado ao digitar no computador, evite qualquer tipo de ruído desnecessário
  • Não discuta com o colega
  • Não interrompa o colega em vão
  • Pergunte ao colega sobre suas preferências quanto à iluminação, passagem de microfone, local para sentar-se, etc
  • Não faça comentários com o microfone aberto
  • Ao sair, mantenha a limpeza da cabine
  • Não use roupas espalhafatosas

Respeito também vale para o comportamento fora da cabine. Seja discreto, tanto no vestuário quanto em suas atitudes e não distribua seu cartão pessoal em um evento de um colega ou de um intermediário. E, é claro, seja amável com contratantes, técnicos, recepcionistas, e os membros da plateia.

O que é um intérprete comercial?

O intérprete comercial é um profissional credenciado pela Junta Comercial do Estado no qual tem domicílio, dentro dos parâmetros estabelecidos por este órgão, mediante participação em concurso público. É o intérprete que tem fé pública e que é requisitado pelas autoridades para acompanhar estrangeiros em cartórios, tribunais e repartições públicas.

Qual a diferença entre tradução simultânea e consecutiva?

A  interpretação simultânea promove a comunicação efetiva entre orador e plateia, de modo contínuo e natural, permitindo a todos participantes que se expressem em seu idioma nativo e que ouçam a tradução por meio de fones.

A interpretação consecutiva, por outro lado, é feita sem equipamentos e o orador deve interromper sua exposição para que o intérprete faça sua tradução, mediante a tomada de notas. Essa modalidade é mais indicada para pequenas reuniões formais, encontros entre autoridades ou cerimônias oficiais. Conteúdos mais técnicos ou programas muito prolongados adaptam-se muito melhor à modalidade simultânea.

Por que a APIC recomenda uma jornada de trabalho de 6 horas para intérpretes?

Em função da natureza extenuante do trabalho de interpretação, tanto do ponto de vista mental como físico, a prática internacional determinada pelas associações de intérpretes é de que se trabalhe por uma jornada de 6 horas, descontando-se o horário de almoço/ jantar, com equipes formadas por dois intérpretes.

A dupla de intérpretes trabalha em  revezamento, a cada 20 ou 30 minutos um deles toma o microfone, para que o outro possa descansar.

Em eventos que excedem 6 horas de trabalho, cabe o pagamento de horas extras, por até 2 horas, ou a contratação de um terceiro intérprete.

O que é classificação linguística?

Os intérpretes possuem idiomas de trabalho com diferentes níveis de proficiência. A classificação linguística A indica o idioma considerado a língua materna do intérprete. O idioma B é aquele sobre o qual o intérprete tem comando pleno e fluente, sem que seja sua língua materna.

De modo geral, é preferível que o intérprete trabalhe de seu idioma B para o idioma A.

Há ainda a classificação de idioma C, em que a compreensão do idioma é suficientemente boa para garantir a interpretação para os idiomas B ou A, não estando o intérprete, contudo, habilitado a traduzir para esta língua C, também chamada de idioma passivo.

Veja também: Classificação linguística

Que tipo de formação deve ter o intérprete profissional?

Além do domínio de pelo menos dois idiomas, os intérpretes profissionais devem passar por curso específico de formação em interpretação de conferências, durante o qual aprenderá as técnicas, o vocabulário e a prática de cabine.

Nas principais cidades do Brasil já existem cursos de interpretação de conferências, especialmente em pós-graduação. Independente do tempo de formação, os intérpretes sempre estudam e se preparam antes de cada evento para garantir um desempenho dentro das expectativas de ouvintes e contratantes.